Título: Então, Boa Noite
Autor: Mário Zambujal
Editora: Clube do Autor
Ano de publicação: 2018
Páginas: 148

 

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Como já sabem, Mário Zambujal é um dos autores favoritos do ano. Por esta razão, tenho como objectivo ler tudo o que o autor publicou – e já estive mais longe! Hoje venho falar-vos sobre a minha primeira leitura de 2019, Então, Boa Noite, o mais recente lançamento do autor que me foi gentilmente enviado pela editora

 

A História

Em Então, Boa Noite, seguimos Afonso Júlio, um jovem nos seus vintes/trintas que sofre de plasticidade dos neurónios. Isto faz com que Afonso troque as noites pelos dias, isto é, dorme de dia e à noite está desperto. Por isso, as suas rotinas são bastante fora do normal, e isto acaba por afectar as suas relações amorosas, as suas oportunidades de trabalho, e até os sítios que pode frequentar, já que só sai de casa durante a noite.

O meu dia-a-dia é noite-a-noite, durmo como um anjo a fase diurna, se é verdade que os anjos também dormem a sesta (p. 17)

Entretanto, recebe uma carta do seu padrinho, Josué, com três anos de atraso. Nesta carta, é-lhe incumbido que complete duas ‘tarefas’ de alguma dificuldade. Sendo um grande admirador do seu padrinho, que lhe deixou uma casa como herança, pretende cumprir a sua vontade. Assim, seguimos Afonso na sua tentativa de cumprir a vontade de Josué, enquanto procura por Teresa, mulher por quem se enrabichou.

 

Opinião

Como de costume, o autor apresenta-nos muitas personagens peculiares – a começar pelos seus nomes. O protagonista é uma espécie de Don Juan, e eu achei que tinha umas saídas bastante engraçadas. Como a Ana referiu na sua opinião, Afonso Júlio tem muita lábia.

– Eu sou o Afonso Júlio. Realmente não nos conhecíamos. De contrário já lhe teria dito, você é a mulher que sempre procurei.
Para ser honesto faltou-me acrescentar: nesta sala.

Mas o nosso protagonista não é a única personagem caricata, pelo contrário, desde os seus companheiros da noite às personagens com quem vai interagindo ao longo da história, encontramos inúmeras peculiaridades.
Carlos Tarcínio é homem pequeno, de orelhas grandes, usa casacos de cores vivas com monograma no bolso superior, e não se cansa de esgravatar nos ouvidos com cotonetes. Quando dá por findo o trabalho de um cotonete, deposita-o num pequeno saco de papel, saca outro cotonete de uma caixinha de metal e escarafuncha (p. 38)
Como costumo dizer, Mário Zambujal é um verdadeiro ‘tuga’. Não há cá acordos ortográficos, e muito menos estrangeirismos. Esta aversão dá geralmente origem a palavras engraçadas como coqueteile e feicebuque. Porém, existem algumas adaptações que são, por vezes, autênticos quebra-cabeças – como é o caso de pâbliquerrileichon -, mas que acabam por adicionar um je ne sais quoi à narrativa, e que a tornam ainda mais portuguesa, digamos assim. 

 

Então, Boa Noite está, tal como os restantes livros do autor que tive o prazer de ler, recheado de ironia e boa disposição. Apesar de não ser o melhor que li até agora, é uma óptima leitura que se completa apenas num dia, e que é impossível de ler sem sorrir ou soltar uma gargalhada.

4/5 estrelas

 

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